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14/04/2015 às 11:02
AS MULTIPLAS FACES DE UM SINDICO

As múltiplas faces do síndico

Escrito por  Luiza Oliva

Síndico ranzinza, democrático, paciente, amável, mandão. Parecem não ter fim as várias características dos síndicos. Resultado de suas próprias características pessoais (como sexo e profissão), o estilo do síndico é fundamental para que ele exerça - ou não - uma gestão de sucesso. "O síndico rígido não tem mais vez. Ele é visado e destituído. É preciso entender que o síndico não é síndico, ele está síndico. Seu mandato vai acabar e ele continuará sendo vizinho", analisa Maria Luisa Neves, administradora de condomínios e síndica profissional. hoje, os condomínios devem ser administrados primeiramente com bom senso: "Senão, ninguém convive. O síndico deve usar a administradora para não entrar em embate pessoal com seus vizinhos. Uma advertência, por exemplo, deve ser assinada pela administradora, para que o síndico não bata de frente com os condôminos."

Apesar de ser a figura do poder dentro do condomínio, pelo novo Código Civil o síndico perdeu muito de sua força. "O novo Código Civil visa a profissionalização de quem administra o condomínio, seja o síndico, a administradora ou um consultor. O síndico não deve mais aceitar deliberações em assembléias, mesmo que legítimas e aprovadas pelo quórum exigido, porém ilegais", Enfim, o síndico passa a ter sua responsabilidade compartilhada com a assembléia.

Na teoria, tudo é muito bonito. Porém, na prática o que se vê é muito síndico se envolvendo ao mínimo com as questões do prédio. "Em edifícios com um apartamento por andar, por exemplo, o síndico é praticamente imposto. A pessoa fica síndica porque é norma que exista um rodízio entre os moradores, passa tudo para a administradora e não se envolve" A falta de interesse dos condôminos em participar da administração tem levado muitos condomínios a eleger a própria administradora como síndica. "Ninguém quer ser síndico e a assembléia decide que seja a administradora. Temos que fazer um trabalho muito bom com o zelador, já que não convivemos no prédio, e ter um suporte com um funcionário que visite quase todos os dias o condomínio", explica. em países como Argentina e Estados Unidos essa situação é bem comum e não existe a figura do síndico.

Na opinião de Paulo, para que o síndico não se torne um cargo em extinção, ele deve reunir algumas características: procurar levar qualidade de vida para os condôminos, orientar e ter um bom relacionamento com os funcionários, ser idôneo ("afinal, ele vai mexer com o dinheiro dos outros", frisa), ter espírito de liderança e visão de manutenção. Difícil, mas não impossível.

O SÍNDICO AUSTERO
Marlene Barbosa é síndica há oito anos do Condomínio Edifício Alvorada, um prédio com 204 apartamentos . Marlene se orgulha de manter a taxa condominial no mesmo valor durante cinco anos apesar do alto nível de inadimplência. Conseguiu trocar os elevadores, montou uma boa academia e cuida muito bem da limpeza. Ela própria se considera "durona". "Mantenho o prédio em ordem a custa de muitas advertências e multas. Trato o condomínio como uma empresa, não faço 'corpo mole' e não volto atrás numa decisão", define. Apesar de austera, Marlene administra com a equipe do conselho. "Mas, a palavra final é a minha. Afinal, eu sou a responsável e administro de forma clara e transparente", finaliza a síndica.

O SÍNDICO CENTRALIZADOR
Também é comum o síndico que não gosta de delegar responsabilidades. "Ele reclama do excesso de serviço, mas não delega nada". O síndico que gosta de trabalhar sozinho cuida das cotações de serviços, orienta e supervisiona os prestadores de serviços e só delega a parte financeira para a administradora. Além de sobrecarregado, o síndico "chefão" perde a chance de ouvir outras opiniões e contar com a ajuda de moradores dispostos a auxiliá-lo.

 

O SÍNDICO "NEM AÍ"


Na opinião de muitos administradores de condomínios, o pior síndico é aquele que "não está nem aí". Delega tudo para a administradora, se isenta de responsabilidades e nunca sabe de nada. Quem põe a mão na massa é a administradora. Uma variação do mesmo tipo é o síndico "Rainha Elizabeth": quem manda na verdade é o "primeiro-ministro", cargo exercido pelo sub-síndico. O síndico se limita a assinar.

 

O SÍNDICO PARTICIPATIVO
Criar comissões de moradores dispostos a participar e ouvir muito o conselho faz parte do estilo de administração desse síndico.citamos o exemplo de um condomínio que conta com uma comissão de administração, uma de obras e o conselho consultivo. "São nove pessoas, mais o síndico e a administradora, trabalhando pelo condomínio. É bem mais simples administrar dessa forma. Desde que o grupo seja coeso, e um não fique se intrometendo na área do outro, dá certo", conta. O grupo se reúne trimestralmente e traça diretrizes de trabalho. "O prédio estava sem manutenção há muito tempo. Hoje, estamos concluindo até a obra de uma piscina", completa.

 

O SÍNDICO PROFISSIONAL
Silvana Maria Bedoian morou oito anos no Condomínio Torre Blanca, e foi síndica. Mudou-se do prédio, manteve as amizades e foi convidada para voltar a ser síndica. A experiência foi tão bem sucedida que Silvana passou a ser síndica profissional. "Cheguei a trabalhar com quatro condomínios ao mesmo tempo", conta. No Torre Blanca, ela conta que é muito mais fácil fazer o trabalho de síndica agora do que quando morava. "Quando mora no prédio o síndico é confundido com porteiro, eletricista, técnico de TV", lembra. Além disso, ressalta, o síndico profissional não encontra os moradores diariamente, o que evita atritos e reclamações.

Para Silvana, o segredo de ser um síndico respeitado é o diálogo: "Escuto sempre todas as partes envolvidas e resolvo tudo na base da conversa, sem multas." Saber manter os gastos, não ultrapassando os limites do caixa, e não aumentar excessivamente a taxa condominial também é levado em conta. A prova de que o entrosamento entre os moradores é possível em condomínios é a amizade que Silvana ainda nutre pelos moradores do Torre Blanca. "Organizamos dois encontros por ano. Começamos quando todos tinham filhos pequenos. Hoje, muitos já estão casados e continuamos a nos reunir."

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